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COP 16 avança pouco, mas dá continuidade nos acordos sobre o clima


10/01/2011 - Durante 12 dias, representantes de 194 países estiveram reunidos em Cancún, México, para a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que terminou em 10 de dezembro. O rascunho final tem três pilares: compromisso dos países-membros de aderir à segunda etapa do protocolo de Kyoto, que inicia em 2013, a definição da base conceitual do tratado REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) e a centralização no Banco Mundial das doações para os financiamentos aos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, como Kiribati e Maldivas.

Embora os países signatários da COP16 sejam responsáveis por um terço das emissões globais, a conferência não conseguiu definir as metas de cortes dos gases de efeito estufa que cada país deverá cumprir. Esses números serão definidos somente na COP 17, em 2011, na África do Sul. O Brasil foi o único entre os países emergentes a anunciar suas metas, com a regulamentação da Política Nacional de Mudanças Climáticas. Com isso passa a ser o primeiro país a cortar as emissões em números absolutos a longo prazo, entre 36,1% e 38,9% em 20 anos, emitindo no máximo 2,1 bilhões de toneladas dióxido de carbono por ano.

Apesar dos poucos avanços, a conquista considerada mais importante foi o fato de que não haverá um vazio de acordo climático depois que terminar a primeira fase do Protocolo de Kyoto, em 2012. China e Estados Unidos, entretanto, responsáveis por mais de 40% das emissões globais, estão fora do protocolo. Outra questão foi o resgate da confiança no processo das conferências climáticas da ONU, que tinha sido posto em xeque na COP15, em Copenhagen, quando não se conseguiu um acordo para substituir Kyoto. Quanto ao tratado REDD, foram previstos investimentos de países desenvolvidos nos em desenvolvimento para que preservem suas áreas florestais.

No início da conferência, o Japão ameaçou se retirar do protocolo de Kyoto enquanto os países emergentes e os grandes poluidores, como Estados Unidos e China, não fossem obrigados a cumprir metas na segunda fase do tratado, como é o caso dos outros país desenvolvidos. Superada esta situação, outro problema na última seção plenária foi a oposição do representante da Bolívia, que não aceitou o texto final da COP por achá-lo modesto demais.

As ofertas de redução pós-Copenhagen que foram consolidadas na COP16, segundo as projeções dos cientistas, elevam as temperaturas de 2°C a 3,5°C até 2100, acima do patamar considerado seguro pelo IPCC.

Fontes: Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, Cidades e Soluções.
2703 *Luciano Trevisol

Criado em 09/01/2011.

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