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Homo sapiens, Homo consumens04/03/2011 - Vivemos em um planeta especial do sistema solar, até onde sabemos o único em que a vida floresceu. Protegido por uma atmosfera que o envolve como um véu, abriga uma diversidade enorme de bactérias, vírus, fungos, vegetais e animais que convivem na biosfera. Ciclos naturais sustentam a vida há milhões de anos em um equilíbrio dinâmico admirável. A água circula entre o ar, rios e subsolo, mares e oceanos. O Sol fornece a energia que flui e dissipa durante seu percurso nas cadeias alimentares. Toda matéria orgânica é reciclada para renovar a vida. Uma espécie sustenta a outra numa teia de interdependência. Estes são alguns princípios ecológicos que regem a dinâmica da vida. No curso da história da Terra uma espécie, apesar de ter uma cultura extremamente complexa, distanciou-se desses princípios: consome bens naturais como se fossem infinitos, cultiva monoculturas, produz lixo, destrói ecossistemas naturais. O “Homo consumens” é o ser humano que desenvolveu a capacidade de consumir bens naturais sem se preocupar com o futuro. Representa o lado da espécie que é mais ‘demens’ que ‘sapiens’, já que sua forma de consumir compromete os ciclos naturais, desrespeita padrões ecológicos que foram construídos durante milhões de anos. Isso afeta diretamente muitas espécies, inclusive o próprio “Homo sapiens” que muitas vezes não tem a percepção de que também faz parte da teia da vida. O consumo não é um problema em si. Somos seres vivos e consumimos naturalmente: ar, água, alimentos, bens culturais, minérios, afetos, ideias. O consumo se relaciona com uma maneira de viver, com a cultura de cada ser humano na Terra. Consumir dá prazer. Essa é uma das razões que fazem com que o consumo seja tão pouco questionado e transformado. O consumo sustenta a economia, e a economia não pode parar de crescer, segundo afirmam os economistas. Mas quais são os limites do consumo? Por que consumimos tanto? Quais as consequências de um estilo de consumo irresponsável? O que é um consumidor consciente? São muitas questões. De fato, diante da grave crise socioambiental planetária, cada dia mais evidente, a reflexão sobre o consumo tornou-se fundamental em todos os espaços, da escola ao trabalho, do supermercado às viagens. O consumo é um ato cotidiano que tem profunda relação com todos os problemas que ocorrem ao nosso redor, portanto merece ser muito mais debatido e transformado. Se a humanidade permanecer apática, sem ousar repensar seu modo de vida, poderá viver problemas socioambientais cada vez mais complexos e desafiadores. * Introdução do livro De Olho na Vida – Reflexões para um consumo ético, de Guilherme Blauth e Patricia Abuhab. 15 de março – Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. |
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