Instituto Harmonia na Terra-Ecopedagogia,Carta da Terra, Ecologia
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O contrassenso dos orgânicos e embalagens plásticas


20/06/11 - A maior oferta de alimentos orgânicos é visível no Brasil. O país é o terceiro do mundo em área cultivada com orgânicos, com 1,7 milhão de hectares, atrás de Austrália e Argentina, segundo dados deste ano da Biofach Nuremberg, na Alemanha, a maior feira mundial de orgânicos. Essa boa notícia vem acompanhada de um contrassenso quando se trata dos orgânicos à venda geralmente em supermercados, que vêm embalados em bandejas plásticas ou de isopor e filme plástico, principalmente os produtos certificados.

Desde janeiro de 2011, quando passou a vigorar a Lei dos Orgânicos (Lei Nº 10.831), os alimentos orgânicos têm que ser certificados para a comercialização, o que deve aumentar o volume de embalagens plásticas utilizadas, gerando mais lixo produzido à base de petróleo, que leva muito tempo para degradar e é reciclado apenas em parte, consumindo energia e água. Esse tipo de embalagem contraria os fundamentos da agricultura orgânica, de produzir com menos gasto energético, sem agrotóxicos e depender o menos possível de insumos externos à propriedade.

Com a nova lei, os produtores terão que se certificar por meio de empresas credenciadas, de associações de produtores certificadores (chamado de sistema participativo de garantia) ou ainda a partir do controle social dos agricultores familiares que vendem por conta própria e obtêm uma autorização do Ministério da Agricultura para fazer feiras e entregas em domicílio.

Os argumentos mais comuns para o uso de embalagens plásticas são a praticidade para o consumidor e a rastreabilidade. Fechados numa embalagem com selo e informações, seria mais fácil saber a procedência dos alimentos e fiscalizar. Porém, isto vem atrelado com o inconveniente de utilizar produtos plásticos.

A contradição fica maior quando se compara a situação com os produtos convencionais. “Se eu compro alimentos convencionais consigo comprar sem embalagens”, observa o coordenador do Instituto Harmonia na Terra, Guilherme Blauth. “Para mim isso só mudaria com sacolões e feiras orgânicas, ou se tivermos acesso a bioplástico e pressionarmos para adoção de embalagens de papel”, diz.

Uma experiência da qual o IHT participou desde o início, contribuindo na organização da primeira edição, é a compra coletiva de alimentos em Florianópolis, vindos da Biorga - Cooperativa de Agricultores Familiares Agroecológicos de Mondaí-SC, integrada à Rede EcoVida de Agroecologia. Os produtos vêm a granel e cada comprador traz sua embalagem de casa, com isso o plástico é eliminado.

Glaico José Sell, agricultor orgânico há 17 anos, que participa da feira orgânica da Lagoa da Conceição há 16, vende a granel a maioria dos produtos. No caso da alface, algumas vezes ainda é usado saco perfurado, mas colocado um mix de quatro ou cinco unidades. Salsa e cebolinha são amarrados com barbante, que pode ir para a composteira. Os clientes também trazem embalagens de casa. “Estamos procurando embalagens feitas de milho ou mandioca, que já existem, mas não chegaram aqui”, explica.

Sell considera que a saída para os orgânicos seria organizar pontos de venda em locais com grande circulação de pessoas em cada cidade, as chamadas zonas especiais de comercialização da agricultura orgânica e economia solidária, proposto no I Encontro Nacional de Empreendedores de Economia Solidária, em 2003, e nesse locais criar alternativas para o uso de embalagens plásticas.

Para saber mais e participar da compra coletiva em Florianópolis, acesse a lista http://br.groups.yahoo.com/group/e_solidaria/

Por Barbara Pettres
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Criado em 19/06/2011.

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