Bicicleta: um carro a menos


Movimentos que promovem o uso da bicicleta como veculo principal esto crescendo no Brasil. Diversas cidades realizam a Bicicletada, evento que divulga a bicicleta como meio de transporte e discute a criao de condies favorveis para o seu uso, grupos organizados pedalam juntos de dia ou noite e outros ensinam quem est comeando a pedalar com mais segurana, como o Bike Anjo. Os adeptos desses movimentos promoveram o Frum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre, em janeiro deste ano.

No pas a bicicleta o veculo individual mais utilizado nas cidades com menos de 50 mil habitantes, mais de 90% do total das cidades brasileiras segundo o Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades, do Ministrio das Cidades, de 2007. Mas ainda vista com preconceito, como soluo de mobilidade para os mais pobres ou cheia de inconvenientes, como a chuva, o frio, o calor, subidas ou a falta de segurana para pedalar.

Para quem acha que usar a bicicleta no cotidiano e tambm andar de nibus ou cada vez mais a p - no uma ideia razovel, inevitavelmente ser levado pelas circunstncias a mudar seu ponto de vista, principalmente nas cidades maiores, devido ao tempo perdido e o stress quando se est parado de carro nos engarrafamentos. Fora o custo para manter o veculo, o nmero crescente de acidentes e mortes violentas no trnsito e as doenas causadas pela falta de exerccio, e, numa perspectiva mais abrangente, a emisso de poluentes e os bens naturais no renovveis investidos para produzir um carro, que leva na maioria das vezes s uma pessoa.

Restringir o uso dos carros particulares poltica pblica em algumas cidades e algo inevitvel diante do grande crescimento da frota. Diversas cidades na Europa, como Zurique, na Sua, complicam a vida dos motoristas nas regies centrais. O limite de velocidade muito baixo na cidade, o tempo do farol vermelho maior e faixas de pedestre foram removidas, fazendo com que pedestres e ciclistas atravessem em todo lugar. O objetivo reconquistar o espao dos pedestres e ciclistas e no facilitar para os carros.

Mas preciso resistir s presses durante a fase de transio para um sistema de mobilidade mais abrangente. Em Florianpolis, por exemplo, a faixa exclusiva de nibus implantada em 2009 na nica ponte de sada da cidade, foi abandonada. A avenida ao lado do principal terminal de nibus, por onde passam diariamente 200 mil pedestres, foi fechada para os 40 mil usurios de carros, porm reaberta tempos depois.

Adeso - A experincia demonstra que, criadas as condies para se pedalar com segurana, as pessoas aderem bicicleta, mesmo com tempo adverso. A Holanda, valendo-se tambm da vantagem de ter uma topografia plana, foi o primeiro pas a adotar uma poltica nacional oficial para bicicletas, em 1975. Em Amsterd, 55% das viagens para trabalho so feitas de bicicleta, e para a escola o ndice fica em torno de 33% (com distncia menor que 7,5 km).

Numa pesquisa de 2011 com 4.060 pessoas em 10 cidades de Santa Catarina realizada pelo Grupo RBS e Instituto Mapa, 70% dos entrevistados disseram que utilizariam a bicicleta como meio de transporte se houvesse mais ciclovias nas cidades e 82% passariam a usar nibus se ele fosse rpido, barato e confortvel.

Sistemas de transporte com bicicletas pblicas ou integrao da bicicleta com outros modais j existem em diversas cidades brasileiras. Em Mau-RJ, est o maior bicicletrio das Amricas, ao lado da companhia de trem, com 2 mil vagas e 1.700 membros filiados Associao dos Condutores de Bicicletas.

Os inconvenientes com o clima ou o trajeto na bicicleta podem ser contornados com roupas adequadas, trajetos alternativos ou integrao com nibus ou metr. Ou simplesmente d para pensar em comear aos poucos e ir se adaptando. A bicicleta considerada em diversos estudos o melhor veculo para trajetos de at 6 quilmetros, percurso que, com a experincia, facil aumentar.

Ana Vivian e Andr Costa, casados, moram em Florianpolis e usam a bicicleta em todos os deslocamentos. S usam o nibus quando vo para a rodoviria, viajar at a cidade natal. Mesmo no casamento, os dois foram at a igreja pedalando. O hbito da infncia permaneceu e evoluiu, e virou o trabalho dos dois, que pode ser visto no site Pedarilhos. Quando me mudei para Florianpolis, parei de pedalar, tinha medo de enfrentar a hostilidade do trnsito, depois me acostumei, conta Ana.

No comeo, ela ia de nibus nos dias de chuva, depois investiu numa capa de chuva ou levava roupa para trocar. As mudanas de hbito de Ana motivaram toda a famlia. O pai est andando de bicicleta e montando um evento sobre isso na cidade. A me aprendeu a andar no ano passado e usa a bicicleta para o lazer. Seguimos passando a experincia adiante para quem est disposto.

Depois que Andr fez campanha para estacionamento para bicicleta e banheiro com chuveiro no seu trabalho anterior, outros colegas se inspiraram e passaram a ir trabalhar de bicicleta tambm. Um deles mora a 17 quilmetros do trabalho, e vai todo dia, diz.

Os dois perceberam um boom no nmero de ciclistas nas ruas. H dois anos as bicicletadas tinham 10, 15 participantes, e numa delas este ano chegamos a ter 150 pessoas. No meu trajeto todos os dias, tambm tem mais gente pedalando. D pra ver que existe uma grande demanda reprimida, diz Ana. Com um pouco de boa vontade, seguindo a experincia dos amigos ou aceitando o convite da Bicicletada: sai do sof, e vem pedalar, d pra comear.

Saiba mais: http://wwwbicicletada.org, http://bikeanjo.com.br/, www.pedarilhos.com.br/
4099 Luciano Trevisol




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