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Ecopedagogia - Caminho para a sustentabilidadeGuilherme Blauth e Patricia Abuhab A ecopedagogia surge no fim do século XX dentro do contexto de crise sócio-ambiental global, no qual a humanidade percebe a necessidade de reorientar seus saberes para poder estabelecer uma nova relação com o planeta, que seja sustentável da forma mais ampla possível. A palavra sustentabilidade aqui é concebida como a justiça na trama da rede social, o equilíbrio dinâmico dos ecossistemas naturais, as ações políticas de democracia participativa, e a transcendência espiritual. O centro dessa nova pedagogia, conforme vemos na figura, deve ser a transformação espiritual a partir de nossas ações cotidianas, desencadeando um movimento da moral cartesiana-capitalista dominante rumo à uma ética humana global que possa resgatar valores essenciais como o cuidado, a justiça, o diálogo e a solidariedade. A ecopedagogia, desta forma, envolve uma processo de aprendizagem que é tecido a partir das interrelações entre a ARTE (relação eu-comigo), a POLÍTICA (relação eu-outro) e a ECOLOGIA (relação eu-todo). A manifestação da ARTE permite o resgate da sensibilidade na educação, a possibilidade da criação, o equilíbrio entre razão e emoção enfim, a própria expressão do ser humano, sem a qual não existe educação (Francisco Gutièrrez). A ARTE irá cunhar o sentido estético da ecopedagogia, onde o eu dialoga consigo mesmo na apropriação da cultura e a sua recriação permanente. A POLÍTICA é parte da própria natureza pedagógica, porque não existe educação neutra, que não seja criadora de sentido social e de ideologia. O diálogo aqui, como sempre insistiram Paulo Freire e Edgar Morin, é parte essencial da educação para a paz e para a sustentabilidade. Ouvindo o outro reconheço minha autonomia de ser que se expressa artisticamente e politicamente. O respeito e o crescimento com o diferente fazem parte de uma educação transcultural que pode contribuir para frear a extinção massiva de culturas a que assistimos. Por fim, a ECOLOGIA é a grande chave da mudança de paradigma, ou seja aprender a viver na vida cotidiana os princípios que regem a teia da vida, as chaves que regulam os ecossistemas, entender que vida é relação e educação é processo. A palavra ecologia tem um sentido muito mais profundo do que o estudo das relações entre os componentes de um ecossistema. É chegada a hora da ecologia impregnar nossa vida, mediando nossa compreensão do mundo, tecendo relações entre o que andou desconectado nos últimos 250 anos, reconectando todo o conhecimento fragmentado em um todo organizado, simbiótico e significativo. Esse é o grande desafio da ecopedagogia. A partir desse fluxo constante entre ARTE, POLÍTICA e ECOLOGIA mergulhamos nas dimensões mais profundas do nosso ser e estabelecemos uma pedagogia apta a transformar a nossa relação com a existência e a consciência. * Texto de 2000. |
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| Criado em 28/06/2010. << Voltar Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui |
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