O estudante aprende a vida


Guilherme Blauth


As partes do jogo esto por a, embaralhadas, maldispostas, e cabe ao estudante remont-as, imaginar como poderia brilhar o brinquedo tecido. O estudante sempre caminha pensando em desmanchar e refazer o mundo. Sempre um pouco melhor. Pelo caminho ele encontra cheiros, formas, luzes, texturas, todo o que faz sentir-se vivo e de alma semovente.

O estudante no cansa, seus momentos de cio so de puro trabalho, mesmo que ele esteja embaixo de uma rvore, refletindo. O estudante no espera a ma cair sobre sua cabea, ele observa o crescimento da vida, folhas, pelos, plipos, flores, galhos, tentculos e rabos. Ele deslumbrado com o pulso que sente, com o que sente, aprendeu a sentir.

Sentindo e meditando. O estudante no tem cara de menino, ele pode ser qualquer um, sempre.

O estudante respira, o estudante suspira.

O estudante espreme a realidade do seu cotidiano, indaga-se sobre tudo o tempo todo, tece relaes entre os objetos. O estudante v o universo e nele se impregnam as coisas cheias de sentido, sentidos simples, raros, bobos, teis, metafricos, complexos que podem mudar o prprio sentido.

O estudante aprende a vida.

O estudante sabe estar s e desenvolver a curiosidade epistemolgica. Fazer seu prprio fogo. Sentir o vento. Achar gua. Plantar.
Mas o estudante um ser tico, solidrio, que compartilha o conhecimento. O estudante professor.

* Texto de 2000.




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